Actualmente, basta uma semana sem colocar um post no Facebook ou não aparecer online no Messenger, para ser considerado ‘desaparecido’. Talvez até seja verdade para quem vive encurralado naquela ‘rede social’ e já tenha perdido a noção da existência de outras formas de comunicar.

Um dia vi numa revista de informática que estava disponível uma plataforma chamada ‘Facebook’, uma ‘rede social’ que prometia ligar pessoas, partilhar ideias, recuperar contactos e todas essas maravilhas que fazem parte dos objectivos iniciais destes projectos.

Criei a conta numa altura em que havia poucos portugueses e, ao explorar as poucas funcionalidades, pensei que seria uma ideia condenada ao fracasso e que não ia pegar. Enganei-me!

O Facebook é uma boa ferramenta… ou melhor… seria uma boa ferramenta, se fosse bem utilizada. Começou bem, com o cumprimento do verdadeiro propósito de interligar pessoas de forma saudável, mas a massificação trouxe tudo aquilo que torna qualquer lugar pouco recomendável. De realçar que o problema não está no Facebook, mas numa grande parte das pessoas que o utilizam.

Há pessoas que se transformam completamente ao fazer login no Facebook. De repente sentem-se aptos a comentar tudo, criando ao mesmo tempo um clima pouco democrático onde apenas são aceites os que concordam com as suas opiniões. Todos os que manifestarem discordância são atacados com recurso a expressões insultuosas e ameaças, procedimentos que se julgavam extintos desde 1974.

Também é curioso verificar que os maiores haters são os que mais clamam pela liberdade de expressão e que fazem questão de sublinhar que são democratas.

Abrir um debate no Facebook sobre um tema da actualidade é uma total perda de tempo e de paciência. Em poucos minutos, já andará alguém a insultar tudo e todos e a denunciar o post e o perfil. E não é preciso entrarmos no campo do debate politico ou desportivo. Qualquer coisa, por mais insignificante que seja, motiva um debate de gente a disparar em todas as direcções, mesmo antes de perceber sequer do que se trata.

Este tipo de comentador teve origem muito antes do aparecimento do Facebook. Nasceu quando começou a ser possível comentar em sites de jornais e nos blogs.

Acontece que, para eles, o Facebook tem a vantagem de não dar muito trabalho, pois basta olhar para um título e uma fotografia para gerar confusão.

Depois de espalhado o drama, aparece quase sempre um utilizador destemido que clicou no post, leu a notícia e voltou ao Facebook para informar os exaltados de que as coisas não são bem como estão a comentar e que a notícia é bastante elucidativa. Aqui existem dois desfechos possíveis: a discussão termina por ali ou insultam o tipo que teve a ousadia de ir procurar a verdade dos factos.

A massificação do Facebook trouxe também as célebres imagens de canídeos e felinos fofinhos, frases e pensamentos, escritos em português do Brasil, partilhados por muitos e aplicados no dia-a-dia por ninguém, sem esquecer as anedotas conhecidas desde os anos 90, mas que são agora partilhadas como sendo uma grande novidade. É a parte foleira que acaba sempre por atacar estas plataformas.

Posto isto, tendo em conta o tipo de conteúdos que a maioria dos utilizadores prefere e o desinteresse em entrar em discussões, é normal que os conteúdos acessíveis à grande maioria dos ‘amigos’ seja cada vez menor. O que está a aumentar são os grupos temáticos fechados, nos quais não há lugar para haters, já que existem regras para entrar e permanecer no debate e na troca de ideias. As partilhas entre os verdadeiros amigos são feitas pelo Messenger ou com recurso a plataformas alternativas, em especial de troca de mensagens.

O importante é manter o contacto com aqueles que nos são próximos, sejam eles familiares, amigos, colegas ou ex-colegas de escola ou de trabalho. De certeza que não chegará às 5000, 500 ou sequer às 100 pessoas. Olhe para o número de amizades de Facebook e contabilize quantas dessas pessoas o/a cumprimentam quando se cruzam na rua. Pense que não é preciso anunciar ao mundo que acordou às 10:00, que tem uma borbulha na testa, que bebeu um galão na pastelaria ao fundo da rua e que entretanto pisou cocó de cão.

Dou cada vez menos atenção a uma ‘rede social’ onde um post digno de interesse deve conter fotos de gatinhos, frases bonitas ou gerar discussões entre mal informados.

Site, Blog, Whatsapp, SMS, chamada de voz ou email, um café ou um jantar. Não faltam alternativas.