A torneira do crédito continua aberta para delícia dos consumidores que pretendem comprar o novo smartphone topo de gama, fazer aquela viagem para que os amigos vejam quem é o maior ou outros investimentos que, se fossem bem ponderados, podiam esperar ou ser esquecidos e assim seria menos uma conta para pagar no final do mês.

Certo é que, em Agosto, os bancos e outras entidades financeiras concederam mais de 600 milhões de euros aos consumidores portugueses, o que representa um aumento de 1,2% face a Julho, precisamente o mês em que o Banco de Portugal recomendou mais rigor na concessão de crédito.

A soma de todo o valor concedido desde o início do ano já está muito perto dos cinco mil milhões de euros, só em crédito ao consumo.

Entretanto, estão a disparar os pedidos de ajuda ao Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da DECO, muitos relacionados com créditos concedidos em 2017 e já este ano. Um sinal claro de que os bancos não tiram quaisquer ilações das crises, não respeitam as recomendações dos reguladores e, no que diz respeito aos consumidores, para além do rápido esquecimento do período de crise que o país atravessou, continuam a pedir créditos sem olharem aos rendimentos e a todas as despesas que têm de suportar. Só encaram a realidade quando já pouco ou nada há a fazer para evitar a perda de bens e até mesmo a insolvência.

O problema não está a ser encarado com seriedade… ou melhor, esta situação nem está a ser encarada como um problema. Basta ouvir os comentários de indivíduos que são apresentados como ‘especialistas’ na área da economia, mas que na prática não conseguem identificar algo tão básico como os caminhos que conduzem às crises e nem sequer perceberam o que aconteceu há 10 anos.

Para quem está atendo e a colocar algum dinheiro de parte, faz muito bem! Já sabe que a história repete-se em períodos cada vez mais curtos e, mais dia, menos dia, será chamado a pagar os disparates dos consumidores irresponsáveis, dos bancos e do Governo, basta ver os pontos essenciais do OE 2019… outras contas para fazer mais à frente.

FOTO: Maria Imelda