Bancos históricos não aumentam comissões em 2020

Acredita nesta promessa? Até quando os portugueses vão aceitar pagar por simples contas à ordem que outros disponibilizam gratuitamente?

Na semana passada, durante a “Money Conference”, organizada pelo Dinheiro Vivo e TSF, os presidentes dos principais bancos a operar em Portugal — Paulo Macedo (CGD), Pedro castro e Almeida (Santander), Pablo Forero (BPI), Miguel Maya (Millennium BCP) e António Ramalho (Novo Banco) — afirmaram que não vão aumentar as comissões no próximo ano.

Os banqueiros criticaram a polémica que tem sido criada em torno do tema, argumentando que os serviços bancários devem ser pagos como qualquer outro serviço.

O que os responsáveis dos bancos históricos não percebem ou não querem perceber que vivem em concorrência com soluções inovadoras que não cobram comissões pela simples gestão de uma conta à ordem. Soluções como o Revolut, o N26 e o português Moey, estão a ganhar milhares de clientes todos os dias, em especial os mais jovens que já não olham para a banca tradicional como destino para os seus rendimentos.

Os banqueiros e os reguladores do sector também estão esquecidos que, no passado, o negócio da banca era conceder crédito com base nos depósitos captados aos clientes que, por sua vez, tinham as suas poupanças remuneradas, inclusivamente as contas à ordem. Tudo isto num tempo em que não era necessário cobrar comissões e não existiam escândalos no sector como aqueles a que nos habituámos na última década.

A justificação habitual é que vivemos numa realidade diferente e que o modelo de negócio da banca mudou. É verdade que mudou, mas apenas fruto de políticas erradas na fixação das taxas de juro por parte dos bancos centrais e da má gestão das instituições financeiras. 

Já se percebeu que a política fácil de cobrar comissões em troca de muito pouco, ou mesmo nada, é para continuar nos próximos tempos. Quando descerem até ao nível da irrelevância, o peso das contas encerradas levará a mais fusões, resgates e a campanhas de angariação de clientes com soluções sem custos, para reconquistarem os clientes perdidos. No fundo, será mais uma corrida atrás do prejuízo

Para já, fica o registo de que os principais bancos afastam o cenário de aumentos nas comissões em 2020. Vamos ficar atentos ao cumprimento da promessa e à alteração do número de portugueses que estão dispostos a continuar a pagar por serviços que outros disponibilizam gratuitamente. 

Rui Anacleto
Mais de 17 anos de actividade nas áreas da comunicação social e tecnologias de informação e comunicação. Produtor de conteúdos transmitidos em rádios de norte a sul do país, Madeira e Canadá.